Mais recentemente, o Autismo, tem sido usado o termo “Transtorno do Espectro Autista” (TEA), reconhecendo que a pessoa pode ter diferentes graus de comprometimento, que pode ser possível que “movimentem-se” ao longo do espectro, ou seja, que suas habilidades e comportamentos fiquem mais próximos do esperado para sua idade cronológica. Algumas crianças até “saem” do espectro autista. Para isso é preciso uma dedicação e desafios específicos como a comunicação, habilidades sociais, habilidades para brincar, processamento visual e auditivo, auto-estimulação, reforçadores incomuns, dificuldade em aprender pela observação do outro e aprendizado mais lento.
Para entender melhor o termo espectro autista, seriam importante termos melhores definições das categorias dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. O conceito de espectro autista (EA) nos ajuda a compreender que quando falamos do Autismo e os outros transtornos, empregamos termos comuns para pessoas muito diferentes. O rótulo “autismo” parece remeter a um conjunto bastante heterogêneo de individualidades, cujos níveis evolutivos, necessidades educativas e terapêuticas e perspectivas vitais são bastante diferentes.
As alterações que as pessoas com espectro autismo apresentam, dependem de fatores como a associação ou não do Autismo (com atraso mental mais ou menos grave), a gravidade do transtorno que apresentam, a idade (momento evolutivo) da pessoa autista, o sexo (o transtorno autista afeta com maior freqüência pessoas do sexo masculino, porém com maior gravidade de alterações nas mulheres do que nos homens), a adequação e a eficiência dos tratamentos utilizados e das experiências de aprendizagem, e o compromisso e o apoio da família.
Wing e Gould (1979) através de suas pesquisas chegaram a um resultado com enormes conseqüências práticas: os traços do espectro autista não se produzem apenas em pessoas com TID, mas em outras cujo desenvolvimento é afetado por diferentes causas como atrasos de origem metabólica ou genética, epilepsias da primeira infância que são acompanhadas de atraso mental (como a Síndrome de West), alterações associadas a quadros de incapacidade sensorial, etc.
Em 1988, Lorna Wing diferenciou quatro principais dimensões de variação do espectro autista: transtornos nas capacidades de reconhecimento social, nas capacidades de comunicação social, nos padrões repetitivos de atividades, que referem-se também a outras funções psicológicas, como a linguagem, a resposta a estímulos sensoriais, a coordenação motora e as capacidades cognitivas.
No conceito de espectro autista, desenvolveu-se um conjunto de doze dimensões que se alternam sistematicamente nos quadros de Autismo e em todos aqueles que envolvem espectro autista. Para cada dimensão estabeleceram-se quatro níveis: o primeiro é o que caracteriza as pessoas com um transtorno significativo, um quadro mais grave, níveis cognitivos mais baixos, frequentemente crianças menores e pessoas que não receberam um tratamento adequado. O quarto nível é caracterizado por aqueles com transtornos menos grave e define de modo muito característico pessoas que apresentam a Síndrome de Asperger. As doze dimensões que diferenciamos são:
1.Transtornos qualitativos da relação social
2.Transtornos qualitativos das capacidades de referência conjunta (ação, atenção e preocupação conjuntas)
3. Transtornos qualitativos das capacidades intersubjetivas e mentalistas
4.Transtornos qualitativos das funções comunicativas
5.Transtornos qualitativos da linguagem expressiva
6.Transtornos qualitativos da linguagem compreensiva/receptiva
7.Transtornos qualitativos das competências de antecipação
8.Transtornos qualitativos da flexibilidade mental e da flexibilidade comportamenta
9.Transtorno qualitativo do sentido da atividade própria
10.Transtornos qualitativos da imaginação e das capacidades de ficção
11.Transtornos qualitativos das capacidades de imitação
12.Transtornos da suspensão (da capacidade de criar significantes)
Estudos recentes têm mostrado mudanças súbitas em algumas áreas cerebrais como o cerebelo e, principalmente, um aumento moderado do tamanho e peso cerebral, que parece acontecer durante a primeira infância.
O sequenciamento do genoma de seis crianças com autismo revelou uma mutação em um gene que interrompe a destruição de diversos aminoácidos essenciais. Camundongos sem esse gene desenvolveram problemas neurológicos relacionados ao autismo que foram revertidos com a alteração da dieta, mostra um artigo na revista Science.